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17 de jan de 2013

Defeito do Septo Atrioventricular

O que é Defeito do Septo Atrioventricular (DSAV)? Passaremos a chamá-lo de DSAV apenas para abreviar. Leva a aumento de fluxo sanguíneo para os pulmões em graduação proporcional a magnitude do defeito, ou seja, quanto mais acentuado maior a repercussão pulmonar.

Qual as apresentações Defeito do Septo Atrioventricular (DSAV)?
O DSAV é uma má-formação congênita do coração que se apresenta em 3 categorias: forma parcial, intermediária ou total. A forma parcial há presença de CIA-comunicação interatrial e defeito na valva mitral (fenda anterior) e eventualmente alteração na valva tricúspide. A forma intermediária existe uma CIA com má-formação de mitral e tricúspide sem CIV-comunicação interventricular. A forma total apresenta CIA, CIV e existe uma valva única que é remanescente das valvas mitral e tricúspide.
No DSAV total ou “Atrioventricularis comunis” devemos notar se os ventrículos esquerdo e direito são bem desenvolvidos e o grau de má-formação que a valva AV única apresenta.
Qual a importância do Defeito do Septo Atrioventricular (DSAV)?
Nesta ocasião o sangue oxigenado que está nas câmeras cardíacas esquerdas passa para as câmeras cardíacas direitas misturando-se sangue rico em oxigênio com o sangue pobre em oxigênio que irá para os pulmões. Com isto existe um aumento na quantidade de sangue (hiperfluxo) para os pulmões. È como se encharcássemos uma esponja (os pulmões) com mais sangue que o habitual.
Além disto, se as valvas AV forem inadequadas elas não cumprirão a função de deixar o sangue seguir adiante sem retornar, ocorrendo refluxo ou insuficiência. Com isto parte do sangue que é ejetado pelo coração retorna inadequadamente, sobrecarregando o coração.
Como posso descobrir o Defeito do Septo Atrioventricular (DSAV)? Por ocasião de uma avaliação o médico pode suspeitar, sendo confirmado por Ecocardiograma ou Cateterismo Cardíaco (complementar). Pessoas portadoras de Síndrome de Down têm maior propensão a essa doença, devendo ser avaliadas assim que possível.
Quando indicar Cirurgia para Defeito do Septo Atrioventricular (DSAV)?
O DSAV tem indicação de correção com fechamento conforme avaliação médica caso a caso. Trata-se de uma doença do coração que pode vir associada a outras má-formações (Tetralogia de Fallot, etc). Quando o DSAV é a única doença, deve-se considerar características anatômicas e repercussão hemodinâmica pulmonar para indicar o momento da cirurgia. A repercussão hemodinâmica pulmonar a qual comparamos pulmões encharcados como uma esponja, e que com o passar do tempo vai ficando, digamos, mais áspera e não mais absorvível. Isto não é um bom sinal, porque os pulmões sofridos resultam da lesão de pequenos vasos (arteríolas) e que posteriormente aumentam a pressão na artéria pulmonar.
Tenho que lembrá-los que existem critérios médicos que indicam o melhor momento de operar um paciente portador de DSAV, mas que devem ser ponderados em conjunto com a família.
Há também, crianças que precocemente tem que fazer cirurgia. Sugiro acompanhamento com especialista Cardiopediatra e Cirurgião Cardiovascular.
A cirurgia para o Defeito do Septo Atrioventricular (DSAV).
Existem dois tipos de cirurgia nesta ocasião: paliativa ou corretiva. (vide Informações ao Paciente & Família – Qual a diferença de Cirurgia paliativa e corretiva?). A cirurgia corretiva: para realizarmos este tipo de cirurgia é necessário o auxílio da máquina coração-pulmão ou CEC (vide Informações ao Paciente & Família – O que é Circulação Extra-Corpórea). As comunicações (CIA ou CIV) podem ser fechadas ou “tampadas” com pericárdio do próprio paciente tratado quimicamente durante a cirurgia (pericárdio é a camada que envolve o coração/ não há nenhuma repercussão em tirá-lo) ou pericárdio bovino ou equino tratado (derivado de boi ou cavalo, passa por um processo químico que o torna inerte no corpo humano, e é um dos materiais mais utilizados em cirurgia cardiovascular há mais de 40 anos). Fazemos um chamado remendo, manchão ou “patch”, que tampa as comunicações através de sutura (costura) feita pelo Cirurgião Cardiovascular. Se as valvas forem bem-formadas pode-se preserva-las através de plástica. Se as valvas forem inviáveis pode ser necessária a troca por uma prótese (vide Informações ao Paciente & Família – Dúvidas sobre prótese valvar- Mecânica x Biológica).
Outra possibilidade é realizarmos uma cirurgia paliativa. (vide Informações ao Paciente & Família – Qual a diferença de Cirurgia paliativa e corretiva?). Conforme avaliação das condições da criança (idade e gravidade da doença), a cirurgia de Bandagem Pulmonar pode ser adequada. A Bandagem pulmonar é uma cirurgia paliativa que consiste em “apertar” a artéria pulmonar dificultando a passagem de sangue para os pulmões. Ora, se os pulmões sofriam de aumento de fluxo de sangue (hiperfluxo pulmonar) podemos diminuir este aporte desnecessário e danoso. Entretanto, surge responsivamente uma queda na oxigenação sanguínea. Este equilíbrio é difícil e deve ser achado pelo Cirurgião Cardiovascular durante a cirurgia.  Lembro que após alguns meses a criança irá crescer e solicitar progressivamente mais oxigênio, então chegará a hora de reoperar para retirar a Bandagem Pulmonar e fazer a cirurgia corretiva.
A incisão ou corte de pele deverá ser explicada quanto à localização e extensão individualmente.
Risco cirúrgico: o risco deve ser considerado com o seu médico Cirurgião Cardiovascular conforme avaliação individual de cada paciente. (vide Informações ao Paciente & Família – Fatores de risco cardiovascular e complicações possíveis)
Complicações relacionadas: sangramento, infecção de ferida operatória, bloqueio cardíaco (com necessidade de marcapasso definitivo), baixo débito cardíaco, arritmias cardíacas, alterações em sistema nervoso central, alteração renal, recidiva, CIV residual, insuficiência valvar, crise de hipertensão pulmonar, etc.
Contra-indicação: em caso de outra doença ou má-formação incompatível com a vida, ou alterações no organismo que impeçam a realização de qualquer ato cirúrgico, ao exemplo de alteração de coagulação importante (incapacidade do indivíduo de formar coágulos).
Assim como, hipertensão pulmonar grave e não responsiva (Síndrome de Eisenmenger).
Cuidados de pós-operatório: depende da idade do paciente. Em geral os pacientes que vem de casa operam e no pós-operatório imediato vão para a unidade de recuperação cirúrgica ou UTI (conforme o hospital), permanecem pelo tempo necessário para desmame(retirada) de medicações/ suporte respiratório e eventualmente renal. Quantos aos pacientes em caráter de urgência, se internam em UTI para preparação adequada para cirurgia.
Após alta da UTI, serão acompanhados no quarto ou enfermaria, aguardando condições adequadas para a alta hospitalar, que em nosso contexto fica a critério da equipe clínica.(vide Informações ao Paciente & Família).
Qualquer dúvida ou explicação deve ser feita pessoalmente com seu médico Cirurgião Cardiovascular.
Como seres humanos somos únicos, apostos de medos e aflições. Na Medicina como na vida não existem respostas prontas para resolvê-los. Como médico lido cotidianamente com seres humanos precisando de ajuda, e não apenas com as doenças que nos desafiam. Peço humildemente a Deus que nos abençoe neste caminho.

Fonte: http://www.brunorocha.com.br/portal/?p=148

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